A Rede Global de Jornalismo de Investigação (GIJN) partilha, na sua página, um conjunto de técnicas para detetar conteúdo gerado por IA. Estas ferramentas e recursos são direcionadas a jornalistas, mas podem ser muito úteis para todos os utilizadores, num contexto em que alguns especialistas preveem que, até 2030, mais de 90% do conteúdo online será gerado por Inteligência Artificial.
“Está a tornar-se praticamente impossível distinguir o que é real”, detaca a GIJN. No que diz respeito às imagens, a GIJN destaca sete categorias que te podem ajudar.
#1 Erros anatómicos ou de objetos
O primeiro conselho partilhado é de confiar no instinto que nos diz que “algo parece demasiado bom para ser verdade”. Uma pele demasiado suave, arquétipos de beleza típicos do universo da moda e o ajuste entre a aparência e o cenário de fundo são alguns dos sinais a estar atento. Procurar assimetrias na pele, rugas naturais nas roupas, imperfeições em penteados ou na dentição, por exemplo, podem ser boas práticas.
#2 Falhas na física ou geometria
Embora compreenda os elementos visuais, as ferramentas de IA têm dificuldades em entender as regras de geometria e física que criam luz, perspetiva e sombras no mundo real. Para além da atenção ao ponto de fuga das imagens, é importante analisar as sombras e os reflexos, bem como a sua relação com os respetivos objetos. Se existirem sombras com direções contrárias, essa contradição deve ser vista como sinal de que se trata de uma imagem gerada por IA.
«[...] alguns especialistas preveem que, até 2030, mais de 90% do conteúdo online será gerado por Inteligência Artificial»
#3 A impressão digital técnica
Quando uma IA cria uma imagem deixa sinais e pistas de que se tratou de algo gerado através de padrões matemáticos. Podes fazer um zoom total em áreas como pele ou céu. Existem imperfeições ou a superfície é perfeita e recorre a padrões uniformes? Isso pode ser um sinal de que se trata de algo gerado por IA.
#4 Análise de voz e áudio
É importante estar atento à cadência e ao tom da voz, uma vez que, especialmente perto do final, existe a tendência para que soe pouco natural ou robótico. Repara também se existem hesitações e respirações normais na forma como os humanos comunicam, bem como uma pronúncia demasiado perfeita e a ausência de sons de fundo.
#5 Lógica contextual e temporal
Para além das características técnicas dos elementos, há ainda outro nível de análise a que podes recorrer – a coerência entre eles. É importante observar, por exemplo, se a vegetação, a roupa e a luz “batem certo” e se fazem sentido perante a suposta data e localização da imagem ou vídeo. A análise de objetos de fundo e da arquitetura dos edifícios também pode ser útil, pelas mesmas razões.
#6 Reconhecimento de padrões comportamentais
Muitas vezes, a IA tem dificuldades em sintetizar comportamentos humanos autênticos e dinâmicas sociais. Por isso, podes ficar atento a questões como verificar se existe diversidade nos elementos de uma multidão ou perceber se todos olham existem vários pontos de atenção. As expressões faciais e os movimentos corporais são também importantes porque podem indicar discrepâncias.
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#7 Padrão de reconhecimento intuitivo
Os nossos cérebros desenvolveram padrões para reconhecer a realidade ao longo de milhões de anos. Por isso, uma das coisas mais importantes a fazer é estar atento ao nosso instinto relativamente a uma imagem ou vídeo. Se algo te parecer pouco autêntico, muito “produzido” ou conveniente, deves desconfiar. Da mesma forma, avalia se o conteúdo tem como objetivo despertar uma reação emocional.






