O estudo “Desigualdades Regionais e Mobilidade de Estudantes no Acesso ao Ensino Superior”, divulgado esta semana pelo EDULOG, think tank para a Educação da Fundação Belmiro de Azevedo, analisou alguns dos fatores que condicionam o acesso a este nível de ensino por parte dos estudantes. Entre eles encontram-se a mobilidade estudantil, "condicionada por fatores socioeconómicos e territoriais" e a oferta "mais diversificada" nas áreas metropolitanas à qual os estudantes revelam "maior sensibilidade".
A distância é, de acordo com este estudo, "um dos fatores mais penalizadores da mobilidade dos estudantes". Este fator reduz "significativamente" os fluxos, principalmente entre os diplomados de cursos científico-humanísticos. Já os diplomados de cursos profissionais "concentram as suas escolhas em instituições politécnicas" e opções mais próximas.
«A distância continua a ser um obstáculo determinante e, em muitas regiões, estudar fora permanece financeiramente incomportável»
Alberto Amaral, membro do conselho consultivo do EDULOG
Na altura da candidatura, as condições socioeconómicas e a presença de uma instituição de ensino superior no munícipio de origem também são determinantes, bem como "as perspetivas salariais e os custos de vida nos municípios onde se encontram as instituições".
Enquanto os estudantes apresentam uma maior sensibilidade quanto à distância para as áreas metropolitanas, onde a oferta é mais ampla e diversificada, no interior esta é vista mais como uma necessidade "devido à escassez de alternativas locais" levando-os a percorrer longas distâncias.
Para o membro do conselho consultivo do EDULOG, Albertto Amaral, "o estudo mostra que, apesar dos progressos alcançados, a mobilidade dos estudantes no ensino superior continua fortemente dependente das condições socioeconómicas das famílias e do local onde vivem". Acrescentou ainda que: "A distância continua a ser um obstáculo determinante e, em muitas regiões, estudar fora permanece financeiramente incomportável".
"Se queremos um País mais coeso e um sistema de ensino superior verdadeiramente acessível, precisamos de políticas que reduzam estas barreiras e que garantam que as oportunidades educativas não dependem da geografia”, concluiu Alberto Amaral.






