Sabias que, se o oceano fosse uma economia, seria a quinta maior a nível mundial?
 O número é apontado pelo relatório 
The Ocean Economy to 2050 elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que deixa uma garantia: “O oceano é uma componente vital da economia global”. A esta dimensão económica dos oceanos dá-se habitualmente o nome de Economia Azul. 

Quando define o conceito de “Economia Azul”, o Banco Mundial explica que este compreende uma “grande variedade de sectores e políticas que em conjunto determinam a sustentabilidade do uso dos recursos marítimos”. O termo engloba desde atividades realizadas no mar, oceano e áreas costeiras, à captura de recursos biológicos ou a extração de minerais, passando por atividades relacionadas com o mar como as portuárias.

De acordo com o Comité para o Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (UNCTAD), a economia dos oceanos já cresceu mais do dobro que a média global desde 1995. Por outro lado, em 2023, o comércio de produtos e serviços marítimos teve lucros de 899 mil milhões e 1.3 triliões de dólares, respetivamente. O UNCTAD acrescenta que somente o setor das pescas “sustenta 600 milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo residentes de países em desenvolvimento”.

 


«Devemos investir massivamente na ciência, conservação e na economia azul sustentável [...] proteger a biodiversidade marinha e rejeitar práticas que causem danos irreversíveis»

 António Guterres, Secretário-Geral da ONU


 

A OCDE refere cinco fatores que, no futuro, irão impactar a economia dos oceanos: mudanças demográficas, o clima e o ambiente, a geopolítica, a transformação do sistema energético e as tecnologias e digitalização. As conclusões apresentadas mostram que o setor continuará a crescer, mas a um ritmo mais lento que em décadas anteriores, prevendo vários cenários ligados à velocidade de transição mais para políticas sustentáveis. 

Nos próximos anos espera-se a continuidade de uma política de transição energética, com a expansão da capacidade da energia éolica offshore até 2030 (atualmente de 83 gigawatts, de acordo com o Conselho Global de Energia Eólica), o crescimento da aquacultura (embora a um ritmo mais lento que nas últimas décadas) e o fortalecimento de acordos para a conservação marítima e sustentabilidade dos oceanos.

O futuro da Economia Azul

Segundo a investigação Tides of Change for a Sustainable Blue Economy, “a ciência e a inovação vão desempenhar um papel importante para que a Economia Azul concretize todo o seu potencial”, enumerando o desenvolvimento de setores como “energias renováveis, biotecnologia marinha e aquacultura” como importante para levar a um “crescimento sustentável“, além da Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning. 

 

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“Devemos investir massivamente na ciência, conservação e na economia azul sustentável [...] proteger a biodiversidade marinha e rejeitar práticas que causem danos irreversíveis”, declarou o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, no âmbito do Dia Mundial dos Oceanos.

Em declarações à Reuters, a presidente da organização não-governamental (ONG) Dynamic Planet, Kristin Rechberger, acrescenta: “Precisamos de mudar a nossa mentalidade e pensar na conservação marinha como uma oportunidade de negócio, unindo esforços para que consigamos mudar o rumo do jogo”.

Através de uma política de sustentabilidade nos oceanos, explica a OCDE num dos seus relatórios, pode-se responder “às exigências das alterações climáticas e a outras pressões ambientais que nos impactam, apoiando a economia e criando trabalhos”. “Soluções energéticas instaladas no oceano, como a energia eólica e a energia das marés, têm o potencial para ajudar a reduzir emissões e a cumprir obrigações energéticas”, explica a organização. 

 


«Precisamos de mudar a nossa mentalidade e pensar na conservação marinha como uma oportunidade de negócio, unindo esforços para que consigamos mudar o rumo do jogo»

Kristin Rechberger, presidente da ONG Dynamic Planet


 

O papel da formação

A Comissão Europeia (CE) lançou, em 2025, um estudo que mapeia a oferta formativa em Economia Azul. Os resultados foram divulgados em setembro desse ano e mostram que, na União Europeia (UE), existe uma vasta oferta educativa e formativa nesta área. 80% dos trabalhadores do setor inquiridos revelam deter um mestrado ou doutoramento, sendo ainda destacados programas especializados nas áreas das ciências marítimas, engenharia e oceanografia. 

Os cursos de formação profissional são também abordados, nomeadamente nos setores das pescas, construção naval e logística, sublinhando a importância destes responderem às “necessidades emergentes da indústria”. Por fim, os cursos de curta duração e formação online em áreas como planeamento marítimo e monitorização ambiental são também destacados como oportunidades. 

Olhando para o futuro dos oceanos, as ratificações ao Tratado do Alto Mar, adotado em 2023 que se foca na conservação e uso sustentável das áreas marítimas, vão entrar em vigor no próximo ano. “O oceano é o derradeiro recurso e nós estamos a falhar-lhe", afirmou António Guterres.